Enquanto muitos no mercado ainda se prendem a discussões sobre formatos, plataformas e métricas na comunicação, o renomado publicitário e estrategista Nizan Guanaes, CEO da N.ideias, aponta para uma transformação muito mais profunda e estratégica. Segundo ele, a comunicação deixou de ser meramente publicidade para se consolidar como uma verdadeira estratégia de negócios.
Em uma entrevista reveladora à CNBC News, conduzida por Cristiane Pelajo, Nizan Guanaes detalhou sua leitura sobre o novo ciclo que molda marcas, empresas e o próprio Brasil no cenário global. Para o especialista, a grande revolução não está primordialmente na tecnologia, mas sim na forma como as organizações conseguem constituir significado.
A revolução da comunicação para os negócios
A percepção de Nizan Guanaes é clara: a comunicação que realmente importa hoje é aquela que constrói valor e propósito. Ele enfatiza que a melhor campanha de sua carreira foi a do Plano Real, um marco que demonstra como a comunicação estratégica pode ser decisiva na compreensão popular de um projeto econômico de grande envergadura, como ocorreu nos anos 90.
Esse exemplo sublinha sua tese de que a eficácia não está apenas em divulgar, mas em integrar a comunicação ao cerne das decisões estratégicas de uma nação ou empresa. É a habilidade de criar narrativas que ressoem e gerem impacto.
O brasil no cenário global: oportunidades e desafios de narrativa
Guanaes observa que o Brasil atravessa um momento estrutural raro, com um futuro que se desenha de forma promissora. Ele ressalta que o país se expande globalmente, impulsionado por fatores geopolíticos, vastos recursos naturais, uma agricultura robusta, energia e uma rica cultura, elementos que o posicionam como protagonista nas próximas décadas.
No entanto, para Nizan, o grande desafio reside na narrativa. O publicitário argumenta que a publicidade brasileira precisa urgentemente resgatar sua identidade, sua brasilidade. Afinal, mesmo em um mundo digital, as marcas precisam voltar a ser brasileiras, conectando-se com suas raízes para ganhar autenticidade e relevância.
Estratégia supera orçamento: o novo paradigma corporativo
Um dos pontos mais enfáticos da entrevista é a convicção de Nizan Guanaes de que a estratégia vale mais que a verba. Ele aponta que as grandes e pesadas estruturas corporativas perderam sua vantagem competitiva. A era atual favorece organizações leves e ágeis, com pensamento estratégico afiado.
“Hoje não é mais Davi contra Golias. É Golias tentando enfrentar estruturas pequenas”, analisa Guanaes.
A N.ideias, fundada em 2018, é um reflexo desse conceito: menos operação e mais foco no pensamento estratégico. Sem uma estratégia bem definida, nenhum orçamento é suficiente; contudo, com uma boa estratégia, até mesmo pequenos investimentos podem gerar um impacto colossal.
Ao abordar a transformação digital, Nizan alerta para um erro comum: “Não pode transformar dado em chatice”. Ele reitera que, embora os dados sejam vitais para orientar decisões, a conexão humana permanece o diferencial competitivo. Criatividade, cultura e repertório são qualidades insubstituíveis no desenvolvimento de marcas fortes.
Outro pilar para Nizan é o posicionamento. Para ele, estratégia não é apenas escolher o que fazer, mas, crucialmente, o que não fazer.
“Posicionamento é disciplina. É dizer não”, afirma.
Marcas duradouras constroem valor ao longo do tempo através da consistência, autenticidade e clareza de identidade, não pela adaptação constante a tendências passageiras.
Oportunidades no brasil e o papel da criatividade
Ao projetar um possível rebranding do Brasil, Nizan Guanaes é direto:
“O Brasil é um País de oportunidades”.
Ele destaca que multinacionais continuam expandindo suas operações no território nacional, mesmo diante de desafios estruturais, um sinal inequívoco de confiança no potencial econômico e criativo brasileiro.
Reforçando a importância da comunicação estratégica, Nizan Guanaes considera que sua maior contribuição profissional foi justamente a campanha do Plano Real, um testemunho do poder transformador da comunicação na vida de uma nação.
Para os jovens criativos, o estrategista deixa um conselho essencial: a criatividade verdadeira nasce de repertório, e não apenas de talento. É preciso nutrir a mente com cultura, explorando a literatura, a música, a filosofia, o comportamento e a sociedade. Esses conhecimentos, segundo Nizan Guanaes, são tão cruciais quanto dominar as ferramentas digitais.
Conclusão: a comunicação como pilar estratégico na era atual
A visão de Nizan Guanaes ressoa como um chamado para que empresas e profissionais de comunicação repensem seus fundamentos. Em um cenário em constante evolução, a comunicação deixa de ser um mero adendo para se tornar o epicentro da estratégia de negócios, da construção de significado e da consolidação de identidades autênticas.
Seja na revitalização da narrativa brasileira ou na concepção de campanhas de alto impacto, a mensagem é clara: estratégia, humanidade e repertório cultural são os pilares para navegar com sucesso no complexo mundo dos negócios do século XXI.





