Uma investigação do Departamento de Inteligência da Polícia Civil de São Paulo, cujos detalhes foram divulgados em 2026 pela Band, revela uma transformação significativa na estrutura do Primeiro Comando da Capital (PCC). A facção criminosa criou uma Secretaria de Comunicação e um robusto setor de auditoria interna, espelhando modelos corporativos e estatais. Essas novas divisões visam gerenciar e proteger uma rede que movimentou impressionantes R$ 40 bilhões, consolidando o PCC como uma máfia transnacional com controle rigoroso sobre suas operações e sua imagem.
O objetivo é profissionalizar a gestão de seus ativos e a conduta de seus membros, controlando desde a lavagem de dinheiro até a narrativa pública. A Polícia Civil de São Paulo mapeou uma rede complexa de “associados” e novas “sintonias” dedicadas ao controle de redes sociais e à corregedoria interna, evidenciando a sofisticação organizacional alcançada pela facção.
Sofisticação criminosa: um novo organograma e a gestão de bilhões
O novo organograma do PCC, fruto do cruzamento de diversas operações policiais, incluindo dados da Polícia Federal, detalha categorias de atuação inéditas. Entre elas, destaca-se a de “associados”, essencial para a movimentação financeira da organização. Nomes como José Carlos Gonçalves, o Alemão, e Mohamad Hussein Mourad, o João Primo, figuram nesta categoria.
Ambos foram alvos da Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, e são apontados como operadores de um intrincado esquema de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal que, segundo a Polícia Civil, movimentou R$ 40 bilhões. A engenharia financeira envolvia a utilização de fundos de investimento, bancos digitais e uma vasta rede de postos de combustíveis. Alemão, que já foi sócio de Antonio Vinicius Gritzbach – morto no Aeroporto de Guarulhos em 2024 –, e Mohamad permanecem foragidos da justiça.
Conexão internacional e a integração do capital ilícito
A investigação também revela a forte conexão dos operadores financeiros com Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho. Amigo pessoal de Marcola e atualmente detido, Fuminho é peça-chave na unificação da logística da droga na América do Sul. As apurações indicam que ele estruturou o fluxo de cocaína desde a produção em fazendas na Bolívia, passando pelo Paraguai, até a entrada no Brasil e o despacho para a Europa através dos portos nacionais.
Nesse contexto, o papel dos “associados” como Alemão tornou-se crucial. Sua função era integrar o capital bilionário proveniente do tráfico ao sistema financeiro legal, conferindo uma fachada de legitimidade aos recursos da facção.
Auditoria e comunicação: o controle interno do PCC
A preocupação do PCC em manter um controle rigoroso sobre seus ativos e a imagem de seus integrantes se traduz na criação de divisões que mimetizam estruturas corporativas e estatais, focadas na profissionalização da gestão criminosa.
O setor raio x: a corregedoria interna
A Polícia Civil identificou a criação do Setor Raio X, uma espécie de corregedoria interna liderada por Gratuliano De Sousa Lira, conhecido como “Baianinho”. Este setor possui atribuições abrangentes, que incluem:
- Auditoria financeira das operações da facção.
- Monitoramento rigoroso da conduta de seus integrantes.
- Aplicação de punições disciplinares para garantir a conformidade interna.
Sintonia interna da internet: a secretaria de comunicação
Outra inovação é a Sintonia Interna da Internet, descrita como uma verdadeira “Secretaria de Comunicação”. Esta nova célula digital assume a responsabilidade por:
- Gerenciar mensagens em aplicativos criptografados, garantindo a segurança das comunicações.
- Monitorar ativamente as redes sociais para detectar e controlar informações.
- Padronizar os discursos de seus membros.
- Evitar a exposição indevida que possa comprometer o sigilo e a segurança das operações da facção.
Essa estruturação das novas “sintonias” sublinha a preocupação da organização em controlar não apenas o fluxo de dinheiro e drogas, mas também a narrativa e a integridade de seus membros no ambiente digital.
Conclusão: a consolidação de uma máfia transnacional
As recentes descobertas da Polícia Civil de São Paulo, que revelam a criação da Secretaria de Comunicação e do setor de auditoria, apontam para uma evolução alarmante na estrutura do PCC. Longe de ser apenas um grupo criminoso, a facção se reinventa com uma organização que emula as grandes corporações, utilizando ferramentas de gestão financeira, logística internacional e comunicação estratégica. Essa profissionalização visa perpetuar sua influência, proteger seus bilhões e manter o controle total sobre sua vasta rede, consolidando sua atuação como uma máfia transnacional altamente sofisticada e perigosa para a segurança pública.





